Introdução - O conceito de beleza vem sendo alterado ao longo da história da humanidade. Uma adequada avaliação do contorno corporal é determinante na elaboração de protocolos terapêuticos e, conseqüentemente, na modelagem do segmento. Para tanto, faz-se necessária a avaliação da região nos seus diferentes níveis: pele, tecido celular subcutâneo (TCSC) e complexo músculoaponeurótico, além da atenção para a presença de possíveis alterações posturais.

Classificação - Inicialmente, de acordo com a localização da lipodistrofia, as pacientes são classificadas em dois grupos: ginóide ou andróide. Posteriormente, as pacientes devem ser avaliadas a fim de se analisar a presença de alterações cutâneas, a espessura e distribuição do TCSC, além da competência do complexo músculo-aponeurótico. De acordo com as alterações encontradas, as pacientes podem ser classificadas em grupos, variando de I a VI, sendo então, sugeridos protocolos terapêuticos, para cada grupo, de maneira individualizada: Grupo I – Caracteriza-se por ausência de excedente de pele na região abdominal, pequeno aumento do panículo adiposo infra-umbilical e ausência de alterações músculo-aponeuróticas. Dentre os métodos terapêuticos sugeridos para este grupo destacam-se: eletroporação, ultra-som focalizado de alta potência, infiltração subcutânea de drogas lipolíticas e a hidrolipoclasia. Do ponto de vista cirúrgico, está indicado para estas pacientes, lipoaspiração de pequeno volume. Grupo II - Como no grupo I, as pacientes se caracterizam por ausência de alterações cutâneas e do complexo músculo-aponeurótico, apresentando pequeno aumento do panículo adiposo em regiões infra, peri e supra-umbilical e nos flancos. Quanto as terapias a serem utilizadas destacam-se as mesmas já sugeridas para o grupo I, uma vez que, estes grupos apresentam características similares. Em relação à indicação cirúrgica, a lipoaspiração é o método de escolha. Grupo III - Este grupo é formado por pacientes que apresentam pequeno à médio excedente de pele infra-umbilical, moderado aumento do panículo adiposo em abdome, flancos e dorso, além de flacidez músculo-aponeurótica, associada ou não a pequena diástase dos reto-abdominais na região infra-umbilical. Para o tratamento da flacidez cutânea sugere-se o uso de microabrasão, microcorrente, radiofreqüência, carboxiterapia e de estímulos transepiteliais (dermaroller). No tratamento da lipodistrofia faz-se a indicação dos mesmos métodos propostos para os grupos I e II. Devido o comprometimento músculo-aponeurótico, está indicado, neste grupo, o uso de correntes excito-motoras para fortalecimento muscular. Quanto à indicação cirúrgica, a lipoaspiração associada ao mini-abdome, com ou sem a plicatura dos retro-abdominais, constitui-se no método de escolha. Grupo IV - Neste grupo, as pacientes se caracterizam por importante excedente de pele infra-umbilical e pequeno à médio excedente supra-umbilical. O TCSC encontrase moderadamente aumentado e difusamente distribuído em abdome, flancos e dorso. O complexo músculo-aponeurótico apresenta flacidez moderada e diástase dos reto-abdominais nas regiões infra e supra-umbilical. Por assemelharem-se as pacientes do grupo III, porém com maior grau de comprometimento, às pacientes deste grupo está indicado os mesmos métodos sugeridos para o grupo anterior. No que se refere à indicação cirúrgica, a abdominoplastia é a técnica de escolha, associada ou não a lipoaspiração. Grupo V - As pacientes deste grupo apresentam importante excedente de pele infra e supra-umbilical, grande aumento do TCSC, difusamente distribuído, moderado acúmulo de gordura visceral e importante comprometimento do complexo músculoaponeurótico. Estas pacientes devem ser, inicialmente, estimuladas a perder peso, sendo posteriormente, indicados os mesmos métodos estéticos e cirúrgicos sugeridos para o grupo IV. Grupo VI - Neste grupo encaixam-se os obesos mórbidos, com importante excedente de pele e de TCSC, com grande acúmulo de gordura visceral e comprometimento do complexo músculoaponeurótico. Estas pacientes, inicialmente, precisam passar por grandes perdas ponderais. Após o emagrecimento há, invariavelmente, um grande excesso de pele que pode ser corrigido por técnicas cirúrgicas como a abdominoplastia clássica ou em âncora, assim como pela torsoplastia. Posteriormente, as pacientes devem ainda avaliadas quanto a presença de alterações posturais, sendo, quando necessário, encaminhadas para profissionais competente para reavaliação e tratamento.

Discussão – Com a sistematização da avaliação estética corporal é possível se analisar, de maneira ampla e detalhada, as principais alterações sofridas pelo contorno corporal e, desta maneira, proporcionar aos pacientes protocolos terapêuticos mais individualizados, específicos para cada uma das alterações encontradas, favorecendo assim, a obtenção resultados melhores e mais duradouros.

Conclusão - Este sistema de classificação destaca-se pela riqueza de informações que proporciona e, ao mesmo tempo pela sua praticidade e condução lógica, constituindo-se em uma importante ferramenta a ser utilizada na propedêutica, no diagnóstico e na elaboração de propostas terapêuticas.
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